
A viagem dos dois: quanto guardar por mês
Uma viagem doméstica de cinco noites para dois custou cerca de R$ 6.000 com os preços de maio de 2026. Em dez meses, isso é R$ 600 por mês — mas não R$ 300 para cada um. O valor justo sai da proporção entre as rendas de vocês, e a conta inteira está abaixo.
O que trava a viagem do casal quase nunca é o destino. É a conversa que nunca acontece por falta de um número: quanto sai, em quantos meses, e quanto cada um tira do salário por mês. Sem esse terceiro número, "um dia a gente vai" continua sendo um plano de dois anos que se renova sozinho todo dezembro. Este post monta a conta com preços públicos e datados, mostra onde ela é frágil, e depois faz a parte que ninguém faz: divide o aporte mensal pela renda de cada um, em vez de rachar meio a meio. Dois casais fictícios servem de exemplo. Substituam os números pelos de vocês e a conta continua funcionando.
Quanto custa uma viagem a dois no Brasil: a conta montada
A conta tem três blocos, e só dois deles têm fonte pública. O terceiro é de vocês.
Passagem. A tarifa aérea doméstica média de maio de 2026 ficou em R$ 632,53, alta de 11,2% sobre os R$ 568,96 de maio de 2025, segundo os dados tarifários divulgados pela ANAC em 24/06/2026 e reportados pelo Times Brasil na mesma data. Esse valor é por trecho, por pessoa. Ida e volta para duas pessoas são quatro trechos: R$ 2.530,12.
Hospedagem. A diária média da hotelaria brasileira em maio de 2026 foi de R$ 451,71, com ocupação de 63,37% e RevPAR de R$ 286,27, conforme o boletim InFOHB, do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, publicado pela Panrotas em 08/07/2026. A diária é do apartamento, não da pessoa — cinco noites para o casal dão R$ 2.258,55.
O resto. Comida, transporte no destino, passeio, aquele jantar caro do último dia. Aqui não existe média pública confiável, então entra como variável de entrada. No exemplo deste post usamos R$ 200 por dia para os dois, em seis dias: R$ 1.200,00. Esse número é uma escolha nossa, não uma fonte.
Somando: R$ 2.530,12 + R$ 2.258,55 + R$ 1.200,00 = R$ 5.988,67. Arredondando para cima, R$ 6.000 é o valor-alvo da meta.
Guardem esse total, porque ele é o único lugar onde o casal precisa concordar antes de qualquer outra coisa. Enquanto um dos dois estiver pensando em R$ 3.000 e o outro em R$ 8.000, toda conversa sobre "a gente consegue?" é uma discussão sobre números diferentes.
A passagem: R$ 632,53 por trecho, e por que ela subiu
Vale explicar de onde esse número veio e o que ele não inclui, porque é a linha mais pesada do orçamento de vocês.
A ANAC coleta os dados de tarifa com as empresas aéreas brasileiras, valida tecnicamente e divulga por mês. O valor considera só o transporte: taxa de embarque, bagagem despachada e marcação de assento ficam de fora, e a correção monetária é feita pelo IPCA. Ou seja, R$ 632,53 é o piso do que vocês vão pagar no checkout, nunca o teto.
A alta de 11,2% em um ano tem um culpado nomeado no próprio levantamento: o querosene de aviação subiu 68,5% no período e chegou a R$ 6,46 por litro em maio de 2026. Combustível é a maior conta das companhias, e ele reaparece na sua tarifa com dois ou três meses de atraso.
Uma ressalva de honestidade sobre a fonte: a página do release da ANAC no gov.br não abriu na nossa consulta de 15/08/2026 — retornou conteúdo restrito ao nosso acesso. Por isso o número acima está atribuído à cobertura datada do Times Brasil sobre a divulgação de 24/06/2026, e não ao PDF do órgão. O painel de tarifas aéreas da ANAC segue no ar e traz a série desde 2002, se vocês quiserem conferir o mês atual antes de fechar a meta.
Duas coisas mudam muito esse valor e estão sob controle de vocês. A primeira é o mês: tarifa média de julho e de janeiro não é tarifa média de maio. A segunda é a antecedência — a média da ANAC mistura quem comprou com seis meses e quem comprou na véspera, e é justamente por comprar com antecedência que a meta mensal existe.
Se o destino de vocês é de carro ou de ônibus, apaguem essa linha inteira e coloquem combustível e pedágio no lugar. A estrutura da conta não muda.
A hospedagem: R$ 451,71 a diária, e o número mais frágil da conta
Esta é a linha em que temos menos confiança, e é melhor dizer isso do que esconder.
A diária média do InFOHB sai de uma amostra de hotéis de redes associadas ao FOHB — hotel de rede, em geral urbano, com peso grande de viagem corporativa. Ela é uma referência pública, datada e nomeada, o que é raro no Brasil. Mas ela não é o preço da pousada em Paraty num feriado de novembro, nem o do apartamento alugado por temporada.
A sazonalidade aparece nos próprios dados do boletim. Em janeiro de 2026, a diária média nacional subiu 8,3% sobre janeiro de 2025, e no Nordeste a alta foi de 15,7%, segundo a 222ª edição do InFOHB, publicada pelo Hotelier News em 24/02/2026. Alta temporada e destino de praia puxam o número para cima, e a média nacional some debaixo dessa diferença.
Então tratem R$ 451,71 como o valor de partida, não como o valor de vocês. O jeito honesto de usar esta seção é abrir o site de reserva, olhar o preço real de três hotéis no destino e na data que vocês querem, pegar o do meio e substituir na conta. Leva dez minutos e melhora a meta mais do que qualquer média nacional consegue.
A ocupação de 63,37% em maio também diz algo prático: em um mês de ocupação média, sobra quarto e sobra negociação. Em fevereiro no litoral, não sobra nenhum dos dois.
Se a diária real de vocês for R$ 600 em vez de R$ 451,71, as cinco noites passam de R$ 2.258,55 para R$ 3.000, e o total da viagem sobe para cerca de R$ 6.730. É o tipo de diferença que muda o prazo da meta em dois meses.
Do total ao mês: escolham o prazo antes do destino
Com o total na mão, a divisão por prazo é aritmética simples — e é aqui que a viagem sai do "um dia" e vira data.
Sobre os R$ 6.000 do nosso exemplo:
| Prazo | Vocês guardam por mês | O que isso significa |
|---|---|---|
| 6 meses | R$ 1.000 | aperta o mês, viagem no verão |
| 8 meses | R$ 750 | meio-termo, exige corte visível |
| 10 meses | R$ 600 | o exemplo deste post |
| 12 meses | R$ 500 | o mais folgado, compra de passagem cedo |
O prazo é a única variável que vocês controlam sem cortar nada da viagem. Adiar dois meses derruba o aporte em R$ 100 por mês sem tirar uma noite de hotel do plano.
E existe um efeito colateral bom: prazo maior significa comprar passagem com mais antecedência, e passagem comprada com antecedência costuma ficar abaixo da média que usamos aqui. A meta de doze meses tende a custar menos que a de seis, mesmo com o mesmo roteiro.
O erro comum é fazer o caminho inverso — escolher a data do casamento de um amigo, do feriado, do aniversário de namoro, e só depois descobrir quanto teria que ser guardado por mês. Quando a conta não fecha, a viagem não é adiada: ela é paga no cartão, em dez vezes, com juros, e vira briga em março.
Falta de planejamento aparece como segundo motivo de conflito financeiro no casal, citado por 33% das pessoas ouvidas na pesquisa da Serasa com o Opinion Box, atrás só de decisões impulsivas. Escolher o prazo antes do destino é a forma mais barata de sair dessa estatística.
Quem guarda quanto: a proporção da renda, não o meio a meio
R$ 600 por mês não são R$ 300 para cada um. Meio a meio parece justo até vocês olharem que fatia do salário de cada um esses R$ 300 representam.
A fórmula é uma linha: aporte de cada um = meta mensal × (renda da pessoa ÷ soma das duas rendas).
Casal 1, fictício: Ana ganha R$ 4.200 líquidos, Bruno ganha R$ 2.800. Juntos, R$ 7.000. Ana entra com R$ 360 (60%) e Bruno com R$ 240 (40%). Os dois passam a comprometer os mesmos 8,57% da própria renda.
Casal 2, fictício, com diferença maior: Camila ganha R$ 9.000, Diego ganha R$ 3.000. Camila entra com R$ 450 e Diego com R$ 150 — 5% da renda de cada um.
| Quem | Meio a meio | Proporcional |
|---|---|---|
| Ana (R$ 4.200) | R$ 300 = 7,1% | R$ 360 = 8,6% |
| Bruno (R$ 2.800) | R$ 300 = 10,7% | R$ 240 = 8,6% |
| Camila (R$ 9.000) | R$ 300 = 3,3% | R$ 450 = 5,0% |
| Diego (R$ 3.000) | R$ 300 = 10,0% | R$ 150 = 5,0% |
Olhem a linha do Diego. No meio a meio, ele tira 10% do salário para uma viagem em que a Camila tira 3,3%. Os dois estão pagando o mesmo valor e sacrificando coisas muito diferentes — e é essa diferença invisível que vira ressentimento na terceira parcela.
O aporte proporcional resolve isso sem ninguém precisar abrir mão de nada. A viagem continua custando R$ 6.000, continua saindo em dez meses, e o peso passa a ser igual para os dois.
No duofi, essa meta a dois fica registrada com o valor-alvo, o prazo e a contribuição de cada um visível para os dois. É o passo em que a planilha costuma morrer — e o motivo pelo qual ela morre é sempre o mesmo: alguém tem que lembrar de atualizar.
Como a meta sobrevive ao terceiro mês
Meta de viagem raramente morre por falta de dinheiro. Morre por falta de conversa combinada.
O dado que sustenta isso vem da pesquisa que a Serasa encomendou ao Opinion Box, com 1.120 pessoas de todas as regiões ouvidas entre 19 e 22 de maio de 2025: 53% dos entrevistados apontam o dinheiro como principal motivo de briga no relacionamento, segundo a CNN Brasil em 09/06/2025. No mesmo levantamento, 49% já esconderam um problema financeiro do parceiro.
"Infelizmente, muitos casais acabam caindo nessa situação por vergonha de admitir dificuldades ou medo de perder o parceiro", diz Valéria Meirelles, psicóloga do dinheiro da Serasa, na divulgação da pesquisa de 12/06/2025. Segundo Valéria Meirelles, "Dinheiro é coisa séria, exige ética e planejamento".
O que funciona na prática, para a meta chegar viva no mês dez:
Um dia fixo por mês. O mesmo dia em que o salário cai. Quinze minutos, não uma reunião.
Renda mudou, proporção muda. Se o Diego for promovido e passar a ganhar R$ 4.000, a soma vira R$ 13.000 e o aporte dele sobe para cerca de R$ 185, com o da Camila caindo para R$ 415. Recalcular é mais fácil que renegociar.
Mês ruim não mata a meta, atrasa. Se num mês só entrar R$ 400, o prazo estica. Melhor esticar em voz alta do que fingir que o dinheiro está lá.
A mesma pesquisa mostra que 58% dos casais já fazem algum planejamento financeiro conjunto e 65% conversam abertamente sobre dinheiro. A parte difícil, então, não é começar a conversa. É ter um número para conversar sobre.
Perguntas frequentes
Quanto custa uma viagem a dois no Brasil hoje?
No nosso exemplo, R$ 5.988,67 para cinco noites com voo doméstico, usando a tarifa média da ANAC de maio de 2026 (R$ 632,53 por trecho, por pessoa), a diária média do InFOHB do mesmo mês (R$ 451,71) e R$ 1.200 de gastos no destino, este último uma estimativa nossa, sem fonte pública.
A tarifa média da ANAC é ida e volta?
Não. É por trecho e por pessoa. Para um casal ida e volta, multipliquem por quatro.
Vale mais usar a média nacional ou pesquisar o preço real?
Pesquisem o real. A média serve para vocês começarem a conversa hoje; o preço do destino e da data de vocês serve para fechar a meta. A diária de hotel é onde a diferença costuma ser maior.
E se a gente ganhar quase a mesma coisa?
Aí a proporção dá quase meio a meio, e está tudo certo. A divisão proporcional não é contra o 50/50 — ela só devolve o resultado justo quando as rendas são diferentes.
Dá para fazer isso numa planilha?
Dá. A conta é uma multiplicação. O problema da planilha nunca foi a fórmula, foi alguém lembrar de abrir ela todo mês.
Próximo passo
Peguem o total da viagem de vocês, dividam pelo número de meses até a data, e apliquem a proporção de renda de cada um. Se o resultado couber no mês, vocês têm uma meta. Se não couber, mudem o prazo antes de mudar o destino.
Depois disso, o lugar de registrar isso é onde os dois enxergam. Vocês podem começar de graça no duofi — R$ 0 para começar, sem cartão, com até duas metas a dois no plano gratuito. Se um dia quiserem mais, o plano pago custa R$ 14,90 por mês ou R$ 119 por ano, preço conferido em 15/08/2026, e é o casal todo, não cada um.
Comecem hoje. Briguem por outras coisas.
Escrito pela equipe editorial do duofi, o app de finanças para casais. Todos os valores de renda são de perfis fictícios. Preços de passagem e hospedagem coletados em 15/08/2026, referentes a maio de 2026. Última atualização: 15 de agosto de 2026.
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