Apps de dividir conta servem para casal?
Finanças a dois

Apps de dividir conta servem para casal?

DuoFiPublicado em 10 de julho de 2026 13 min de leitura

Servem, mas só até certo ponto. Splitwise e Tricount foram feitos para fechar a conta de um grupo — viagem, república, rolê — e resolvem isso muito bem. O que eles não fazem é dividir pela renda de cada um, guardar as metas de vocês nem enxergar o mês inteiro que se repete.

A pergunta costuma aparecer no terceiro mês morando junto. Alguém instalou o Splitwise na viagem com os amigos, gostou, e sugeriu usar em casa para o mercado e o condomínio. Funciona nas primeiras semanas. Depois começa a estranheza: um app de dividir despesa em grupo trata vocês dois como dois estranhos que dividiram um Uber, e é exatamente isso que ele foi feito para fazer. Não é defeito de fabricação. É escopo. Este texto compara a documentação pública dos dois apps com o que a rotina de um casal pede, item a item, e mostra onde cada um para — inclusive onde o duofi para.


O que Splitwise e Tricount fazem bem (de verdade)

Começar pela crítica seria desonesto. Os dois apps são bons no que se propõem, e é por isso que tanta gente chega neles.

O Tricount se apresenta como grátis e diz ter 21 milhões de pessoas no mundo, com nota 4,8 na App Store (tricount.com, consultado em 15/08/2026). A página de recursos lista o essencial de uma vaquinha: divisão igual ou personalizada, várias moedas com conversão automática, foto do comprovante, saldo em tempo real de quem deve para quem, pedido de pagamento dentro do app e funcionamento offline — útil quando vocês estão numa praia sem sinal e alguém pagou o almoço de todo mundo.

O Tricount hoje é do bunq, banco digital holandês, que anunciou a compra em 3 de maio de 2022, quando o app tinha 5,4 milhões de pessoas cadastradas, segundo o TechCrunch. "Tricount's commitment to simplicity, transparency and community perfectly aligns with our own values", diz Ali Niknam, fundador e CEO do bunq — a dedicação do Tricount à simplicidade, à transparência e à comunidade combina com os valores do banco. Segundo Jonathan Fellon, "We fully subscribe to Bunq's mission and are very proud to be a part of it". Fellon é cofundador e CEO do Tricount, e as duas falas dizem a mesma coisa: simplicidade é a estratégia, não um acidente.

O Splitwise vai mais fundo na mecânica da divisão. A central de ajuda (kb.splitwise.com, consultada em 15/08/2026) documenta sete formas de dividir uma despesa: igual, por valores exatos, por porcentagem, por cotas, por ajuste, reembolso e item a item. Também documenta despesa que se repete, com intervalo semanal, quinzenal, mensal ou anual, e lembrete por e-mail antes de cada repetição.

Ou seja: nenhum dos dois é ruim. Os dois são ótimos para fechar uma conta de grupo — e o problema começa quando o grupo é um casal e a conta nunca fecha.

Onde a conta do rolê acaba e o mês de vocês começa

Um rolê tem começo, meio e fim. Alguém paga, todo mundo acerta, o grupo se dissolve. Toda a arquitetura do Splitwise e do Tricount vive dessa premissa: existe um saldo, e o saldo tende a zero.

A vida a dois não tende a zero. O mercado de outubro não é um evento a ser encerrado, é a mesma linha do mercado de setembro com outro valor — e o que vocês querem saber no fim do mês não é "quem deve para quem", é "quanto a gente gastou, em quê, e quanto sobrou para a viagem". São duas perguntas diferentes, e os dois apps respondem só a primeira.

O Tricount chega perto: a página de recursos cita divisões mensais e tendências de gasto, além de categorizar despesa, receita e transferência. Mas a mesma página não descreve nenhuma função de orçamento nem de meta — não existe "juntar R$ 8.000 até dezembro para o apê", com a contribuição de cada um visível. O Splitwise resolve a repetição (a despesa mensal do condomínio pode ser criada uma vez e repetir sozinha, conforme a central de ajuda consultada em 15/08/2026), e ainda assim o que ele devolve é um saldo entre duas pessoas, não um retrato do mês do casal.

Tem um detalhe emocional aí que nenhum dos dois pode resolver por decisão de escopo. Saldo é linguagem de dívida. Abrir o app e ler "você deve R$ 412,30 para a sua companheira" todo dia 20 é uma frase que muda o clima da cozinha, mesmo quando ninguém está brigando. Não é culpa do app: entre amigos que dividiram uma casa na praia, essa frase é exatamente a informação certa.

Para o casal, a informação certa é outra: já está dividido, cada um pagou a parte que cabe na renda que tem, e o que sobra do assunto é a meta que vocês escolheram juntos. É a diferença entre acertar contas e organizar uma vida.

Dividir pela renda: as sete formas do Splitwise e a que falta

Aqui mora o ponto mais interessante da comparação, e ele não é o que a maioria dos textos diz.

O Splitwise consegue dividir de forma desigual. A central de ajuda descreve a divisão por cotas assim: "Assign a number of shares to each person. Useful when splitting with couples or families where some people should pay more than others" (kb.splitwise.com, consultado em 15/08/2026). A própria documentação cita casais. Também dá para dividir por porcentagem exata: 63% para quem ganha mais, 37% para quem ganha menos.

Então está resolvido? Não. Está resolvido uma vez, na mão.

Se vocês ganham R$ 7.500 e R$ 4.500, a proporção justa é 62,5% e 37,5%. Para usar isso no Splitwise, alguém precisa calcular a conta, lembrar dela, e aplicar em cada despesa nova — mercado, luz, internet, farmácia, o presente da sobrinha. Sete formas de dividir, e nenhuma delas sabe quanto vocês ganham. O app não pergunta a renda porque não é assunto dele. Quando alguém é promovido, ou o freelance de um mês vem menor, a porcentagem que vocês combinaram em março continua lá, errada e em silêncio.

No Tricount é a mesma história com menos recurso: a página de recursos descreve divisão personalizada com valores individuais de reembolso, sem menção a divisão por renda.

É isso que a doutrina do duofi chama de cilada do 50/50 — e ela também é a cilada do 60/40 congelado. Dividir meio a meio parece neutro até alguém ganhar o dobro; dividir por uma porcentagem digitada à mão parece justo até a renda mudar. No duofi, a proporção vem da renda que cada um registrou e vale para toda despesa compartilhada, sem ninguém refazer a conta a cada compra (funções descritas em duo-fi.com/precos, consultado em 15/08/2026).

Nenhum dos dois apps está errado. Eles só nunca precisaram saber quanto vocês ganham, porque quem divide uma pizza não precisa.

O limite de 4 despesas por dia e o preço que não aparece

Este é o item que quase nenhuma comparação tabula, e ele é decisivo para o casal.

O Splitwise limita a versão grátis. A central de ajuda oficial diz, com todas as letras, que "free users can add up to 4 expenses each day" — quatro despesas por dia (consultado em 15/08/2026). Num sábado de mercado, farmácia, almoço, gasolina e cinema, vocês estouram a cota antes do jantar. Quem lança gasto do dia a dia bate nesse teto rápido.

Sobre o preço, a mesma página descreve os tipos de assinatura: existe uma mensal que "can only be used by one person", uma anual "Individual + Trip Pass" também para uma pessoa, e uma anual "Duo + Trip Pass" que "can be used by two people". Aqui vale corrigir uma simplificação comum: o Splitwise tem, sim, um plano para duas pessoas. Dizer que ele só cobra por cabeça seria injusto.

O que não existe é transparência de preço. Em 15/08/2026, nem a página splitwise.com/pro nem a página de assinatura splitwise.com/subscriptions/new mostram valor: as duas listam recursos e mandam entrar na conta. Os termos do próprio Splitwise avisam que o preço varia por data, país, impostos e promoções, e pode mudar a critério da empresa. Para descobrir quanto custa, vocês precisam criar conta e chegar até o checkout.

Comparem com o que o duofi publica aberto, em reais, na página de preços (duo-fi.com/precos, consultada em 15/08/2026): R$ 14,90 por mês ou R$ 119 por ano, com cerca de 33% de desconto no anual, o casal todo — duas pessoas, uma assinatura. O plano grátis é R$ 0 para sempre, com até 50 transações por mês, 3 categorias próprias e 2 metas. São 7 dias grátis com tudo liberado, sem cartão, e cancelamento em um clique.

Preço na cara é parte do argumento. Se vocês precisam abrir uma conta para saber quanto vão pagar, isso já é informação sobre o produto.

Tricount é grátis — e o que isso muda para vocês

O Tricount se descreve como 100% grátis na própria página inicial (tricount.com, consultado em 15/08/2026), e não há plano pago documentado ali. Para um grupo de amigos, é difícil bater. O único produto pago mencionado é um cartão de crédito do bunq, oferecido sem custo de ativação, que registra a despesa no app automaticamente.

Grátis muda a conversa, mas não muda o escopo. As 21 milhões de pessoas que o Tricount diz ter estão lá pelo mesmo motivo: fechar contas de grupo com o mínimo de fricção. A página de recursos não descreve orçamento mensal, meta compartilhada com progresso, nem qualquer noção de renda. Ela descreve divisão, saldo, conversão de moeda, offline e pedido de pagamento — e faz isso bem.

Para o casal, a conta fica assim. Se vocês só querem lembrar quem pagou o quê e acertar no fim do mês, o Tricount resolve, custa zero e a discussão acaba aqui. Não há vergonha nenhuma nisso, e um app grátis que faz o suficiente é melhor que um pago que vocês vão abandonar.

Se vocês querem responder outras perguntas — quanto cada um deveria pagar considerando que as rendas são diferentes, quanto já juntamos para a viagem, como foi nosso mês comparado ao anterior — aí o Tricount não tem o que oferecer, porque nunca prometeu.

Há um ponto de privacidade que costuma pesar mais do que o esperado. O Tricount é de um banco desde 2022, e o cartão do bunq é o caminho natural de integração. O duofi não pede acesso a banco nenhum: vocês registram o que quiserem, e o que não entra no app simplesmente não existe para ele. Cada um mantém o gasto pessoal separado do que é compartilhado — seu, meu, nosso, sem misturar tudo numa conta só.

Vale dizer o que o duofi não faz hoje, para a comparação ser honesta: não importa extrato, não conversa com o banco de vocês e não converte moeda numa viagem internacional. Se a necessidade de vocês é a viagem com seis amigos, o Splitwise e o Tricount continuam melhores que o duofi. É para isso que eles existem.

Item a item: o que o mês de vocês exige

A tabela abaixo cruza cinco exigências de um orçamento de casal com o que a documentação pública de cada app descrevia em 15/08/2026. Ela não mede qualidade — mede escopo.

O que o mês de vocês exigeSplitwiseTricount
Dividir pela renda de cada umSó manual (cotas ou %)Só manual (valor exato)
Metas a dois com progressoNão documentadoNão documentado
Resumo do mês do casalGráficos no plano pagoDivisões mensais
Despesa que se repeteSemanal a anualNão documentado
CobrançaDuo anual ou individualGrátis

Lendo a coluna do meio: o Splitwise é o mais completo dos dois em mecânica de divisão e é o único que documenta repetição automática. Lendo a coluna da direita: o Tricount custa zero e faz o básico com menos atrito. Lendo as linhas: as duas primeiras exigências, que são justamente as que definem a vida financeira a dois, não têm resposta em nenhum dos dois.

O limite de 4 despesas por dia do plano grátis do Splitwise (kb.splitwise.com, 15/08/2026) e as 50 transações por mês do plano grátis do duofi (duo-fi.com/precos, 15/08/2026) são cotas de naturezas diferentes: uma limita o dia, a outra limita o mês. Para um casal que lança de 30 a 40 gastos mensais, a segunda cabe e a primeira aperta num sábado só.

Uma ressalva de método, porque isso muda rápido: páginas de preço e de recursos mudam sem aviso e variam por região. Tudo aqui foi lido em 15 de agosto de 2026 nas páginas oficiais linkadas. Se vocês estiverem lendo isto meses depois, confiram na fonte antes de decidir — e desconfiem de qualquer comparativo que não diga em que dia olhou.

Perguntas frequentes

Dá para usar o Splitwise só entre duas pessoas?

Dá, e funciona. Vocês criam um grupo de duas pessoas e lançam as despesas normalmente. O incômodo não é técnico: o app vai mostrar sempre um saldo de dívida entre vocês, porque foi feito para grupos que se acertam e se desfazem.

Qual é o limite do Splitwise grátis?

A central de ajuda oficial informa até 4 despesas por dia na versão grátis (consultado em 15/08/2026). O plano pago tira esse limite e adiciona conversão de moeda, gráficos e leitura de comprovante.

Splitwise ou Tricount para casal: qual escolher?

Se vocês só precisam registrar quem pagou o quê, o Tricount resolve de graça. Se precisam de divisão por porcentagem e de despesa que se repete sozinha, o Splitwise é mais forte. Nenhum dos dois divide pela renda automaticamente nem guarda metas.

Quanto custa o duofi e a cobrança é por pessoa?

R$ 14,90 por mês ou R$ 119 por ano, o casal inteiro numa assinatura só, com plano grátis para sempre até 50 transações mensais e 2 metas (duo-fi.com/precos, consultado em 15/08/2026). São 7 dias grátis, sem cartão.

Preciso dar acesso à minha conta bancária?

No duofi, não. Vocês registram o que quiserem, e nada é puxado do banco de vocês. Em compensação, também não existe importação automática de extrato hoje.

Próximo passo

Faça um teste curto antes de decidir qualquer coisa: peguem os gastos compartilhados do último mês de vocês e a renda de cada um, e olhem quanto cada metade pagou em proporção ao que ganha. Se os dois números baterem, o app que vocês já usam está de bom tamanho. Se não baterem — e quase nunca batem —, é essa conta que o duofi faz sozinho, a cada despesa. Comecem grátis em duo-fi.com, sem cartão. Depois briguem por outras coisas.


Escrito pela equipe do duofi, que faz um app de finanças para casais. Comparação baseada na leitura da documentação pública de Splitwise (kb.splitwise.com e splitwise.com/pro), Tricount (tricount.com) e duofi (duo-fi.com/precos) em 15 de agosto de 2026. Última atualização: 15 de agosto de 2026.

Organizem o dinheiro de vocês, juntos

Uma conta pro casal: contas divididas, metas a dois e o mês inteiro à vista. Comecem grátis.

Começar grátis

Continue lendo

Apps de dividir conta servem para casal?