Bebê a caminho: o orçamento do 1º ano
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Bebê a caminho: o orçamento do 1º ano

DuoFiPublicado em 19 de agosto de 2026 8 min de leitura

Fralda e fórmula somam entre R$ 700 e R$ 850 por mês no primeiro ano, e a creche, quando entra perto do fim da licença, pode dobrar essa conta. Durante os 120 dias de afastamento, a renda de quem sai muda de tamanho, e a divisão das contas do casal precisa ser refeita nesse mês.

A maioria dos guias soma fralda, fórmula e creche e para por aí. O problema é que esse número sozinho não diz nada sobre o que muda na renda do casal durante a licença — e é exatamente aí que o orçamento aperta de verdade. Quem sai do trabalho pode receber o salário integral, pode receber pelo teto do INSS, ou pode receber o piso, dependendo da categoria. Vocês vão precisar redividir as contas da casa nesse mês, e de novo quando a licença acabar. Este guia junta as duas contas: o custo mensal do bebê e o que acontece com a renda de cada um durante e depois da licença.


O teto do salário-maternidade do INSS em 2026 — o que muda na renda de quem sai

O salário-maternidade dura 120 dias, e o valor depende da categoria de quem recebe. Segundo o INSS, a empregada CLT recebe a remuneração integral do mês, sem o limite do teto do Regime Geral — o único teto que se aplica a ela é o teto constitucional, bem mais alto. Já quem contribui como autônoma, MEI ou contribuinte individual recebe 1/12 da soma dos últimos 12 salários de contribuição, e esse valor É limitado ao teto do INSS: R$ 8.475,55 em 2026, reajustado em 3,9% em relação a 2025, conforme o próprio INSS publicou. Ninguém recebe menos que um salário mínimo: R$ 1.621,00 em 2026, valor fixado pelo Decreto 12.797/2025 e vigente desde janeiro, um reajuste de 6,79% sobre os R$ 1.518,00 do ano anterior, segundo a Agência Brasil. Na prática: se os dois são CLT, a renda combinada não cai tanto quanto parece. Se um dos dois é autônomo e ganha bem acima do teto, a queda de renda naquele mês pode ser grande — e é essa diferença que precisa entrar na conta antes de dividir as contas fixas da casa. Vale checar também se a empresa participa do Programa Empresa Cidadã: pela Lei 11.770/2008, isso estende a licença de 120 para 180 dias — dois meses a mais de salário-maternidade e dois meses a menos de creche paga naquele ano —, vale perguntar ao RH antes de fechar o orçamento.

Fralda e fórmula: os itens que pesam mês a mês

É o item mais previsível e o mais constante do primeiro ano — não cai com o tempo tão rápido quanto fórmula, porque o bebê ainda usa fralda o ano inteiro. Segundo Vívian Rodrigues, planejadora financeira CFP e fundadora da Papo de Valor, "os gastos mensais com fraldas ficariam em torno de R$ 300 a R$ 450", em levantamento publicado pelo Bora Investir, da B3. A faixa varia pela marca escolhida — Pampers e Huggies costumam ficar na ponta mais cara, enquanto marcas próprias de farmácia custam menos — e pela frequência de promoção; comprar embalagem grande costuma sair mais barato por unidade do que pacote pequeno. Vale reservar a ponta de cima da faixa nos primeiros três meses, quando o bebê troca de fralda com mais frequência, e revisar o valor a cada mês conforme o tamanho muda.

Se o bebê usa fórmula, esse é o gasto que mais oscila dentro do primeiro ano. A mesma planejadora estima "gastos em torno de R$ 400 por mês no primeiro ano de vida" com leite infantil, também via Bora Investir. O consumo tende a ser maior entre o primeiro e o quinto mês, quando a fórmula é a única fonte de alimento, e cai a partir da introdução alimentar, por volta dos 6 meses, quando papinha e outros alimentos entram na rotina. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda amamentação exclusiva até os 6 meses, o que ajuda a explicar por que esse item praticamente desaparece do orçamento de quem consegue amamentar o período todo — mas outros itens, como consultas de pediatra e bombas de extração, podem substituí-lo parcialmente. Vale registrar o valor real gasto no primeiro mês e usar como referência para os seguintes, em vez de confiar só na média.

Creche: o gasto que chega quando a licença termina

A creche costuma ser o item que mais assusta porque chega tarde — perto do fim da licença — e de uma vez. Uma pesquisa da Melhor Escola, levantada em mais de 7 mil instituições e atualizada em 2025, encontrou média nacional de R$ 846,28 para educação infantil, com o Distrito Federal na ponta mais cara (R$ 1.319,24) e o Rio Grande do Norte na mais barata (R$ 512,96). Berçário particular, especificamente para bebê de colo, costuma custar mais que a média de educação infantil: entre R$ 600 e R$ 3.000 por mês, conforme a mesma estimativa da planejadora financeira citada acima. A diferença de mais de R$ 2.000 entre a ponta baixa e a alta não é erro — reflete cidade, rede pública disponível e se o horário é parcial ou integral, que costuma custar de 40% a 60% a mais que o meio período.

O orçamento mês a mês do primeiro ano, somado

Juntando os três itens por fase, o salto mais visível acontece exatamente quando a licença termina e a creche entra na conta.

Fase do 1º anoO que pesa no mêsEstimativa mensal*
Meses 1 a 4 (durante a licença)Fralda + fórmulaR$ 700 a R$ 850
Meses 5 e 6 (fim da licença)Fralda + fórmula + creche/berçárioR$ 1.300 a R$ 3.700
Meses 7 a 12Fralda + fórmula (menores) + crecheR$ 1.200 a R$ 3.500

*Faixas combinadas a partir das estimativas de fralda, fórmula e berçário citadas acima; variam por cidade, marca e se há rede de apoio (avós, babá) reduzindo a necessidade de creche.

A conta não é linear: o mês 5 pode custar o dobro do mês 2, e é justamente nesse ponto que muitos casais descobrem que o orçamento planejado durante a gravidez já não fecha.

Como redividir as contas do casal durante a licença

Aqui é onde o cálculo do INSS encontra o orçamento do bebê. Se, antes do nascimento, cada um pagava as contas da casa proporcionalmente à renda — o que ganha mais, paga mais —, essa proporção muda no mês em que um dos dois passa a receber salário-maternidade em vez do salário cheio. Um exemplo simples: se ele ganha R$ 6.000 CLT e ela é autônoma com salário de contribuição de R$ 5.000, ela recebe o valor integral da contribuição durante a licença, sem perda — mas se ela ganhasse R$ 12.000, receberia no máximo o teto de R$ 8.475,55, uma queda real de renda naquele período. Refazer a proporção a cada mês, em vez de manter a divisão combinada antes do bebê nascer, é o que evita que a pessoa com renda reduzida acabe pagando fora do que é justo para ela naquele momento. Não é sobre dividir tudo ao meio — é sobre dividir de acordo com o que cada um ganha, mês a mês, enquanto isso muda.

Depois dos 120 dias: a segunda redivisão

Quando a licença termina, a renda de quem estava afastado volta ao normal — mas o orçamento da casa não volta ao que era antes, porque a creche ou o berçário entram como despesa fixa nova. É o segundo ponto em que a divisão proporcional do casal precisa ser recalculada, dessa vez somando o gasto novo às contas já existentes. Vale já deixar decidido, ainda durante a licença, quem vai cobrir qual fatia da creche quando ela começar — decidir isso no primeiro dia do gasto, sob pressão, costuma gerar mais atrito do que decidir com calma um mês antes.

Perguntas frequentes

Quanto é o teto do salário-maternidade do INSS em 2026?

O teto é R$ 8.475,55, valor que se aplica a autônomas, MEI e contribuintes individuais. Empregadas CLT recebem a remuneração integral, sem esse limite, segundo o INSS.

Quanto custa fralda e fórmula por mês?

Juntos, ficam entre R$ 700 e R$ 850 por mês no primeiro ano, segundo estimativas de planejamento financeiro publicadas pelo Bora Investir — fralda entre R$ 300 e R$ 450, fórmula em torno de R$ 400.

Quanto custa a mensalidade de creche?

A média nacional de educação infantil ficou em R$ 846,28 em levantamento de 2025 da Melhor Escola, com variação de R$ 512,96 a R$ 1.319,24 conforme o estado. Berçário particular tende a custar mais.

Como dividir as contas durante a licença-maternidade?

Pela proporção da renda de cada um naquele mês, não pela divisão combinada antes do bebê nascer — porque quem sai de licença pode ter renda menor durante os 120 dias, dependendo da categoria (CLT, autônoma, MEI).

Próximo passo

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Escrito pela equipe duofi, que estuda como casais brasileiros dividem contas e renda. Última atualização: 15 de agosto de 2026.

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